Geração 21 – Plates Gallery Crônicas em Porcelana – Uma Coleção que Pensa, Brinca e Encanta
- Milene Carvalho
- 26 de jul. de 2025
- 4 min de leitura

A Plates Gallery inaugura sua Geração 21 com o mesmo espírito que sempre norteou a marca: arte que conta histórias, beleza que comunica, objetos que são mais do que decorativos — são pequenos manifestos visuais.
Nesta nova etapa, a porcelana continua sendo o suporte para narrativas autorais, mas agora com camadas ainda mais refinadas de crítica, poesia e personalidade. A coleção inicia com quatro peças inéditas, cada uma com seu próprio universo simbólico, visual e afetivo.
São retratos que transitam entre o pictórico e o poético, entre o humor sutil e a elegância crítica. Figuras que nos olham de volta, despertando perguntas, lembranças e sorrisos.
Um convite ao olhar atento — e ao pensamento livre.

Camuflagem Social
A zebra abandona a savana e veste o traje da civilização. De terno risca de giz, óculos elegantes e uma borboleta pousada suavemente na armação — um detalhe que, por si só, rompe a rigidez do visual urbano com um toque de leveza natural.
“Camuflagem Social” é uma provocação visual em forma de elegância: uma leitura divertida e crítica sobre os códigos da sociedade e o comportamento diante das normas. A zebra, símbolo de liberdade e natureza, surge adaptada ao ambiente urbano, tentando se enquadrar, sem nunca deixar suas listras para trás.

A peça brinca com o contraste entre essência e aparência, natureza e cultura, instinto e formalidade. Ela reflete os disfarces cotidianos que vestimos para circular por estruturas sociais — às vezes por proteção, outras por conveniência. Afinal, quantas vezes nos moldamos para sermos aceitos, sem deixarmos de ser quem somos?
Mais do que uma peça decorativa, é um manifesto visual com personalidade e crítica embutida, perfeito para ambientes criativos, contemporâneos ou simplesmente para quem aprecia arte com estilo e propósito. Afinal, até as zebras têm dias de executiva.
Mari Brown

Um olhar curioso atravessa a porcelana. Com óculos de aro grosso e uma borboleta pousada com leveza na orelha, Mari Brown é o retrato divertido da inteligência sensível — um charme felino em versão cult.
Ela observa o mundo com uma doçura analítica, como quem lê pensamentos ou enxerga os pequenos absurdos do cotidiano. O gato, símbolo de mistério e independência, surge aqui como uma figura quase humana: estudiosa, curiosa, levemente cínica — e absolutamente cativante.
A peça brinca com contrastes: entre instinto e imagem, natureza e afetação, espontaneidade e performance. Porque, no fundo, todos carregamos algo de selvagem por trás dos óculos — e um toque de poesia no meio da rotina.

Mari Brown une design contemporâneo e humor sutil, sendo perfeita para ambientes criativos, irreverentes ou simplesmente apaixonados por gatos com personalidade.
Mais do que um objeto decorativo, ela é um manifesto visual.Um lembrete de que estilo também é autenticidade — e que a leveza, quase sempre, mora nos detalhes.
Afinal, até os gatos têm seus dias de filósofo.
Dama da Noite

Há algo de encantadora discrição nessa figura que caminha à beira d’água. A “Dama da Noite” não precisa de aplausos — seu charme está na serenidade. O socó-dorminhoco, ave de hábitos crepusculares e passos meditativos, surge aqui como símbolo de presença tranquila e sabedoria silenciosa.
A composição captura um instante de introspecção natural: a luz tocando a água, a sombra sutil no corpo da ave, o gesto contido de quem conhece bem o seu território. Ela não se apressa, não se exibe. Apenas existe — com elegância e propósito.
Mais do que uma imagem bonita, esta peça carrega um estado de espírito. É para quem enxerga beleza na delicadeza e poder no silêncio. Um retrato da natureza em sua forma mais contemplativa.
Porque há quem brilhe sem fazer barulho.
E quem atravessa o dia com alma de noite.
Ágatha

Com o vento nas madeixas e a altivez de quem conhece o próprio valor, Ágatha é pura presença. Não precisa latir alto para ser notada — sua postura é discurso, seu olhar, ensaio sobre elegância.
“Ágatha” é uma ode à beleza serena, à altivez sem arrogância, ao luxo que mora no gesto contido. Um retrato canino que ultrapassa a imagem e adentra o território da metáfora: o da nobreza silenciosa, da sofisticação natural, do estilo que é essência antes de ser estética.
A borboleta pousada no focinho — quase um beijo de leveza — rompe a seriedade da composição com graça. É como se a própria natureza reconhecesse ali uma alma elevada, digna de visita sutil. Ao fundo, o tijolo aparente sugere uma cena urbana — e mesmo assim, Ágatha reina. Entre o rústico e o refinado, ela é a ponte.

A paleta é sóbria, terrosa, quase nostálgica — feita para harmonizar com espaços que valorizam a profundidade, o silêncio cheio de sentido, o luxo que não grita.
Mais do que um objeto decorativo, este prato é um espelho poético: convida o olhar a repousar, a imaginar, a lembrar de tudo o que é belo e passa devagar.
Ideal para ambientes que celebram o detalhe, a elegância quieta e o humor refinado de quem sabe que o charme está no que não se explica — mas se sente.
Porque, às vezes, o auge da sofisticação...é simplesmente saber parar para receber uma borboleta.
Geração 21 – Uma nova fase, o mesmo espírito
A Geração 21 representa um amadurecimento estético e narrativo da Plates Gallery. Os traços pictóricos, a paleta off-white e terrosa, o uso de figuras animais como espelhos simbólicos — tudo isso permanece. Mas agora, a coleção ganha ainda mais profundidade e reflexão.
Cada prato é uma crônica visual. Cada personagem, um convite à observação. Cada cena, uma metáfora sutil sobre o que somos — e como nos mostramos ao mundo.
Essas quatro primeiras peças são apenas o início. Em breve, novos personagens, novas histórias e novos olhares continuarão a compor esse universo da Geração 21.
Porque decorar também é declarar. E a porcelana, quando bem pensada, pode ser uma forma de pensamento em estado sólido.




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